5. COMPORTAMENTO 18.7.12

1. COZINHA CULTURAL
2. REFAZENDO A VIDA
3. ARQUEOLOGIA OLMPICA
4. CURTO NA FRENTE, COMPRIDO ATRS
5. EXIBICIONISTAS NO TWITTER
6. O LADO TRGICO DO CIME
7. GENTE

1. COZINHA CULTURAL

Diante de pratos tpicos de uma poca ou de um pas, alunos aprendem idiomas e histria de forma ldica
Tamara Menezes 

PASSADO - Aula sobre dom Pedro I por meio da comida brasileira: aprendizado em ambiente descontrado 
 
As aulas so dadas na cozinha. O material escolar so as panelas, as especiarias e a cultura do pas. Essa  a mais nova forma de aprender idiomas, histria, cultura e at coordenao motora: cozinhando ou degustando uma refeio tpica da regio onde a comida se originou. Restaurantes e escolas de culinria se unem para temperar jantares com palestras e workshops que associam cada iguaria a uma cultura estrangeira ou curiosidade histrica. Os professores acreditam que sair da sala de aula contribui para descontrair e fixar as informaes, alm de acrescentar uma pitada de diverso. A memria gustativa fica gravada porque o aprendizado se torna mais ldico e participativo, defende a peruana Mnica Esther Baca Coaquira, professora de espanhol e chef de cozinha. A ideia  que cozinhar ou saborear a comida estrangeira cercado de aromas, msica e da lngua funciona como uma imerso.
 
Famosa pela boa mesa, a Frana se revela nas histrias e nos ingredientes apresentados por um chef na Aliana Francesa de Braslia. As turmas treinam fontica e gramtica, alm de receitas. Diretor do curso, Jean Bourdin acredita que o prazer da degustao difunde tanto o idioma quanto a cultura. A gastronomia muda a relao do aluno com a lngua, defende. Na capital federal e no Rio de Janeiro, parcerias entre restaurantes e o Instituto Cervantes permitem descobrir peculiaridades da cultura e da cozinha das regies da Espanha. O Entretapas, na zona sul do Rio, comea, em novembro, com a culinria da Andaluzia, no sul da Espanha.
 
A historiadora Ana Roldo, autora do livro Banquetes Reais, oferece palestra sobre dom Pedro I (1798-1834), suas esposas e amantes acompanhada de pratos do sculo XIX e vinhos ao gosto da poca. Vou contar fatos engraados e curiosos. No  uma aula acadmica, explica. As prximas edies sero no bistr Grand Cru  nico onde as aulas no sero na cozinha  e na Mise en Place Escola de Gastronomia, ambos na Barra da Tijuca, zona oeste carioca.  comendo que se aprende.


2. REFAZENDO A VIDA

O que os familiares das vtimas tm feito para reconstruir o cotidiano cinco anos depois do maior acidente areo brasileiro
Rachel Costa

 RECOMEO - Aps perder sua nica filha, Thas (abaixo), o casal Ana e Drio se viu sem cho. Eles decidiram, ento, ser pais mais uma vez e da gravidez nasceram os gmeos Toms e Anna Beatriz
 
Ter filhos novamente foi o caminho encontrado pela historiadora Ana Volpi Scott, 53 anos, e seu marido Drio Scott, 49 anos, para amainar a dor pela perda da filha Thas, que hoje teria 19 anos. A menina, sobrinha-neta do pintor modernista Alfredo Volpi, era uma das passageiras que embarcou no voo JJ 3054 em Porto Alegre, com destino a So Paulo, na tarde de 17 de julho de 2007.
 
A jovem visitaria parentes nas frias. Mas sua viagem foi interrompida quando o Airbus A-320 da TAM no conseguiu frear na pista do aeroporto de Congonhas e se chocou em alta velocidade contra o galpo da TAM Express, causando uma exploso seguida por um incndio que varou a noite e s foi controlado no dia seguinte. A tragdia entrou para a histria como o pior acidente areo em solo nacional, com 199 mortos, e somente agora, na data em que se completam cinco anos do acidente, ser inaugurado o Memorial 17 de Julho em homenagem s vtimas.

TESOURO - A famlia Masseran Xavier recebeu, em meio  tragdia, uma notcia alentadora: a mquina com as fotos da filha Paula em Gramado havia passado inclume ao incndio. Eles refizeram a viagem em junho
 
Foi horrvel ver pela televiso o avio pegando fogo e saber que minha filha estava l. No sei como no enlouquecemos, conta Ana. Para compensar o vazio, a historiadora se entregou ao trabalho na universidade e Drio dedicou-se  criao da Associao de Familiares e Amigos das Vtimas do Voo JJ 3054 (Afavitam), entidade da qual  presidente. Nada disso, porm, lhes devolvia a motivao para viver. Voc fica sem ter por que fazer as coisas. Para que trabalhar? Para que sair de casa?, relembra ela. Foi quando, j no fim de 2009, resolveram retomar um plano antigo, abandonado no passado: ter mais filhos. Com mais de 50 anos, Ana tinha as estatsticas jogando contra, mas, mesmo assim, encarou o processo de inseminao artificial. Engravidou na primeira tentativa e, em 18 de agosto de 2010, se viu s voltas novamente com fraldas e mamadeiras com o nascimento dos gmeos Toms e Anna Beatriz. Sou muito feliz com os dois, mas ao mesmo tempo  um sentimento paradoxal, pois nunca poderei ter meus trs filhos juntos, pondera.
 
Superar a dor da perda  um exerccio rduo e cotidiano, encarado das mais diversas maneiras pelos familiares das vtimas do voo JJ 3054. Cada famlia ainda busca encontrar um ponto de equilbrio entre manter viva a memria do ente querido e seguir adiante. Ainda me arrepio quando falo sobre isso, diz a administradora Slvia Masseran Xavier, 56 anos. Faz pouco mais de um ms que ela e o marido. Archelau, 59, voltaram de Gramado (RS). A escolha no foi aleatria. A cidade gacha foi o ltimo destino da filha Paula, morta aos 23 anos no acidente junto com o namorado, quando voltavam da viagem de comemorao dos dois anos de namoro. Entre os escombros da tragdia, um pequeno tesouro estava guardado para a famlia Masseran Xavier. Apesar do incndio, forte o suficiente para consumir quatro corpos de vtimas, o chip de memria da cmera de Paula foi preservado, com 160 imagens em seu interior. Visitamos todos aqueles lugares que apareciam nas fotos, conta Slvia. Foi o encerramento de um ciclo e foi bom para passar a saudade, diz. 

Repetir os passos do ente morto, porm, nem sempre traz paz aos familiares. Para Elisabete Vanzin, 52 anos, ir s cidades prediletas do filho, o piloto Vincius Costa Coelho, morto no acidente aos 24 anos, tornou-se um ritual obsessivo do qual ela no consegue se libertar. O primeiro destino, em 2009, foi Buenos Aires, ltima viagem que havia feito com Vincius duas semanas antes da tragdia. Em solo portenho, sentiu a agradvel sensao de estar novamente com o filho. Quando retornou a casa em Porto Alegre, porm, deparou-se mais uma vez com o vazio da perda. Mesmo assim, tentou o mtodo vrias outras vezes. Desde ento, esteve no Chile, em Paris, Fortaleza, Nova York, Salvador, Manaus, Orlando e Miami. Sei que estou tentando viver a vida dele e que preciso parar, mas  difcil, desabafa Elisabete, que no conseguiu voltar ao trabalho e vive  base de antidepressivos.

ROTINA - Pai da comissria de bordo Madalena, Roberto mudou-se do Sul para So Paulo e vai, todas as teras-feiras s 18h30, acompanhar no aeroporto de Congonhas o desembarque do mesmo voo que chega de Porto Alegre

 Na maior parte das vezes, no nos damos o direito de pensar que podemos perder o filho. Ento, quando acontece,  comum surgir uma dificuldade muito grande para lidar com isso, diz a psiquiatra Dirce Perissinotti, da Universidade Federal de So Paulo. A profissional,  poca no Hospital das Clnicas, fez parte da primeira equipe a atender as famlias, quando as dezenas de parentes se amontoavam em frente ao Instituto Mdico Legal (IML)  espera da identificao dos corpos, e se lembra do estado de choque em que eles se encontravam. No entanto, ela diz que seguir com essa sensao de alijamento da realidade cinco anos depois  um indicativo de patologia e requer ajuda profissional. Se a pessoa ainda est presa ao passado,  preciso buscar tratamento, avalia. 

A distncia entre o esforo para lembrar e a vontade de esquecer, porm, pode ter limites tnues.  o que se v pela janela do apartamento da famlia Silva localizado no 22 andar. A filha Madalena, ento com 20 anos, era uma das comissrias de bordo do voo JJ 3054. Depois da tragdia, a famlia de gachos trocou um sobrado na pequena Dois Irmos, a 50 quilmetros de Porto Alegre, por um prdio em meio ao caos metropolitano de So Paulo. Dali, tem como paisagem o intenso vaivm de aeronaves na pista do Aeroporto de Congonhas, de um lado, e, do outro, a rvore da vida, uma amoreira frgil cujos galhos retorcidos se abrem lembrando uma letra V, no entorno da qual foi construdo o memorial s vtimas. A planta foi tudo o que restou aps o incndio no galpo da TAM Express. Todas as noites de tera-feira, dia do acidente, o pai de Madalena, o empresrio Roberto, 56 anos, dirige-se para o Aeroporto de Congonhas. Em frente  porta de desembarque, acompanha a sada de todos os passageiros e tripulantes do voo JJ 3046, nmero dado aps a tragdia ao avio da TAM, que parte s 17h27 do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, com destino a So Paulo. Quando o fluxo acaba, volta solitrio para seu apartamento.  uma maneira de eu me sentir prximo dela, diz ele, que viu a filha pela ltima vez num porto de embarque. 

Uma perda dessa magnitude deixa marcas emocionais to profundas que o processo de refazer a vida costuma ser uma longa caminhada. O empresrio talo Luiz Dalprat, 51 anos, viu a tragdia de perto porque estava em Congonhas esperando os filhos Caio, 12 anos, e Rafaella, 17. Mas ao contrrio do casal Ana e Drio Scott, Dalprat nem consegue conceber a ideia de ser pai novamente. Acho que eu tive a minha oportunidade de ter famlia e a perdi, lamenta-se com a voz embargada. Separado, no consegue se relacionar com mulheres que j so mes, nem com mulheres que queiram ter filhos. No quero mais me afeioar a uma criana imaginando que posso perd-la de novo, diz. No apartamento, em So Paulo, conserva na parede os desenhos que seus filhos pintaram quando ele se mudou para o atual endereo, h quase dez anos. Tambm carrega sempre a placa de identificao de Caio e o anel de Rafaella, recebidos durante o processo de identificao dos corpos. Depois da tragdia, trocou de trabalho, pois do antigo escritrio via, todo o tempo, o subir e descer de avies em Congonhas. Se a dor da perda fosse uma ferida, a minha ainda estaria sangrando muito, compara Dalprat.

MARCAS EMOCIONAIS - talo perdeu os filhos Caio e Rafaella no acidente. Ele tem dificuldades de ter um relacionamento porque tem medo de se afeioar a crianas novamente

Distante dali, em Fortaleza, outra ferida que custa a cicatrizar  a da famlia do comandante Kleyber Aguiar Lima, que pilotava a aeronave na hora do acidente. A razo: de tempos em tempos, surge um fato novo que traz sobressalto e deixa  flor da pele as emoes e os nimos dos familiares do piloto. Em 2009, foi o relatrio da Polcia Federal, no qual Lima e o outro comandante, Henrique Stefanini di Sacco, aparecem como responsveis pelas mortes. Dois anos depois, veio o livro Perda Total (Ponto de Leitura, 2011), repetindo a verso. O Kleyber era instrutor de voo da prpria TAM. Como um instrutor poderia cometer um erro primrio como eles apontam?, revolta-se a irm Sherydan Gomes, 42 anos. Atualmente, corre um processo aps denncia do Ministrio Pblico Federal no qual a responsabilidade pela tragdia, em vez de recair sobre os pilotos mortos,  atribuda a outras pessoas, mas o desfecho ainda vai demorar (leia quadro). Enquanto isso, cada um,  sua ma neira e a seu tempo, descobre como reconstruir a vida sem a presena de seu ente querido.


3. ARQUEOLOGIA OLMPICA

Escavaes no terreno onde acontecero os Jogos de Londres revela histria de 12 mil anos
 Joo Loes

 ACHADO - Barco de madeira do sculo XIX estava completo e intacto
 
Poucos pases do o devido valor  sua histria. A Inglaterra certamente  um deles. s vsperas da abertura dos Jogos Olmpicos de Londres, que comeam na sexta-feira 27, o pas anunciou com pompa os resultados de uma longa e cuidadosa explorao arqueolgica do terreno onde a Vila Olmpica foi erguida. Das 140 trincheiras cavadas na rea entre 2006 e 2009 foram retirados nada menos do que dez mil artefatos. Entre 2009 e 2012, todos foram cuidadosamente catalogados e estudados por renomados centros de excelncia espalhados pelo pas. As concluses a que eles chegaram so relevantes. Podemos afirmar, por exemplo, que a rea onde hoje funciona a Vila Olmpica foi ocupada de forma quase ininterrupta pelo homem nos ltimos 12 mil anos, diz Nick Bateman, diretor do Museu de Arqueologia de Londres, um dos responsveis pelas escavaes.
 
Conhecida como Lower Lea Valley, a regio era uma espcie de alagado desde o fim da ltima era glacial. Isso no impediu que o homem se acostumasse com a umidade do local  alias, uma das marcas da Inglaterra  e assim se fixasse l. Da era neoltica, por exemplo, foi encontrada a cabea de um machado, feita de pedra, com pelo menos quatro mil anos de idade. Da dominao romana, em 43 d.C., moedas com a cabea de Csar. Mas a maioria dos artefatos, como jarros e pedaos de cachimbo,  proveniente da ocupao da regio durante a Revoluo Industrial, muito mais recente, no sculo XIX. Nessa poca, o alagado foi aterrado com lixo para dar lugar s fbricas, o que acabou por conferir grande valor arqueolgico ao local. 

Dessa poca tambm  datada uma das mais impressionantes descobertas  um barco de madeira completo, provavelmente usado para navegar no Tmisa e no rio Lea. Sem os jogos de 2012 a rica histria e pr-histria da regio do Lea Valley dificilmente viria  luz, afirma Pippa Bradley, arqueloga da Universidade de Wessex responsvel pelo estudo do material recolhido. Um livro que detalha as preciosas descobertas j foi publicado e uma exposio deve acontecer, depois dos jogos, no Museum of London. Da iniciativa, ficam no s as descobertas, mas tambm uma aula de como valorizar e preservar a histria.


4. CURTO NA FRENTE, COMPRIDO ATRS

Depois de invadir passarelas e guarda-roupas de celebridades, as polmicas saias mullet prometem ser o hit da estao
Luciani Gomes

A equipe de ISTO Online tambm fez uma reportagem sobre uma nova tendncia polmica, o tnis com salto embutido. Assista ao vdeo:
 
FAMOSAS - Da esq. para a dir.: a atriz Jessica Alba, a tenista Maria Sharapova, a cantora Christina Aguilera e a atriz Anne Hathaway
 
O estilo  polmico e no incio todos estranham. Mas a insistncia com que as saias e vestidos mullet  que tm propores longas atrs e curtas na frente  tm aparecido em passarelas internacionais e em fotos de celebridades  a senha de que os modelos vo invadir os armrios brasileiros, a exemplo do que vem acontecendo nos Estados Unidos e na Europa. O mullet  mais conhecido como o estilo de cabelo que arrebatou cabeas famosas nos anos 1980. No Brasil ficou conhecido como corte Chitozinho e Xoror, em referncia  famosa dupla sertaneja. Naquela dcada de exageros tambm alcanou sucesso no vesturio. A cantora Madonna, por exemplo, usou um modelo no clipe Like a Virgin. Outra referncia retr so as danarinas de flamenco. As verses atuais seduziram celebridades como as atrizes Anne Hathaway e Jessica Alba e a tenista Maria Sharapova.
 
Da dcada de 1980, herdou-se apenas o estilo. Os modelos atuais foram repaginados. O mullet voltou mais limpo e mais arredondado. Ao contrrio da proposta exagerada, de tecidos pesados, como j foi um dia, afirma a consultora de moda Ana Maria Andreazza. Estamos usando tecidos transparentes, que esvoaam e passam a sensao de leveza, acrescenta Ktia Barros, coordenadora de criao da carioca Farm. Com o sucesso do novo cone fashion, ela prev que o mullet ficar na moda por pelo menos duas colees. A seu favor, conta ainda a versatilidade. O corte da pea foge do tradicional e pode ser usado tanto de dia quanto  noite, explica Vnia Almeida, dona da grife Agilit, que disponibilizou diversos modelos na linha jovem da marca.
 
O mullet, porm, no  para qualquer uma. Segundo a consultora Ana Andreazza, a assimetria valoriza principalmente as mulheres mais altas e magras, pois chama ateno para o quadril.  algo que no favorece a silhueta da tpica mulher brasileira, dona de curvas mais generosas. Por isso  preciso ter cuidado ao escolher um modelo. Para a estilista de acessrios e sapatos da grife Maria Fil, Renata Joca, a dica  combinar a fluidez da pea com sapatos mais pesados e marcantes. E, claro, lembrar que bom-senso nunca  demais.


5. EXIBICIONISTAS NO TWITTER

Fotografar a parceira dormindo na cama depois do sexo vira moda no microblog e  um exemplo do mau uso que se pode dar s redes sociais 
Mariana Brugger

Sbado  noite. Uma jovem de 20 e poucos anos vai para a balada e conhece um rapaz interessante. O clima esquenta, eles resolvem ir para um lugar mais ntimo e a noite acaba em relacionamento sexual. Para ambos, o encontro  divertimento de uma noite s. Mas o pior est por vir. Ele fotografa a parceira seminua e dormindo na mesma cama em que tambm est deitado, faz sinais e caretas jocosas, e posta na internet. Desde o incio do ms, isso se transformou na mania #bedofshame (cama da vergonha, em ingls) no Twitter  embora vergonha  o que, lamentavelmente, esses parceiros no tenham. O hashtag  nome em ingls do smbolo # e que significa uma espcie de marcador que junta tudo o que  postado sobre determinado assunto em redes sociais  no para de crescer. O bizarro, para no dizer grosseiro, comportamento j ultrapassou o universo do microblog e tem at sites especializados em receber fotos do tipo.
 
Tudo comeou no domingo 1, quando Gary Gaz Beadle, uma das estrelas do reality show da MTV inglesa Geordie Shore, postou no Twitter uma foto dele com uma garota dormindo na cama e, na mensagem, perguntava: Quantas pessoas esto fazendo o caminho da vergonha? Muitos de seus aproximadamente 580 mil seguidores se sentiram estimulados a responder, e a moda pegou. Em pouco tempo, vieram as reaes, especialmente de mulheres que consideram o gesto extremamente desprezvel. Seis dias depois, em m situao pblica, Beadle se desculpou na rede social e pediu para outras pessoas no darem continuidade ao ato. Sinto muito pelo meu comportamento no Twitter. Sei que desapontei vocs. J deletei as fotos e comentrios e peo, por favor, que faam o mesmo, dizia a mensagem. 

Intil. A brincadeira de mau gosto j tinha atravessado fronteiras, e chegou at ao Brasil. Tambm deixou de ser exclusivo de homens: mulheres comearam a fotografar seus parceiros eventuais e a postar no Twitter, e casais homossexuais aderiram igualmente.  como dormir com o inimigo, uma banalizao da relao. A pessoa que faz isso mostra que o encontro em si no tem valor se ela no mostrar para o mundo o que aconteceu. Isso s tem valor de marketing pessoal, analisa o psicanalista Alberto Goldin. O diagnstico dele: Quem tem esse tipo de comportamento nas redes sociais sofre de baixa autoestima. A pessoa se sente muito desvalorizada e precisa mostrar que teve uma relao para obter a aprovao dos outros.  uma soluo ruim, porque ela no resolve seu problema original, explica o psicanalista.
 
A difamao envolvendo sexo sempre existiu, mas ganhou velocidade e consequncias piores com o advento das redes sociais. O Twitter  mais uma dessas ferramentas, que pode ser usada para o bem ou para o mal, pondera Roberto Brcio, diretor da Associao Brasileira das Agncias Digitais (Abradi). O microblog tem sido cada vez mais usado por jovens, o que justifica essas modas da internet. O #bedofshame  mais um viral que surge a todo tempo na rede, completa o especialista. O prejuzo que traz para a vtima, no entanto,  enorme. Adormecer  um momento de total vulnerabilidade, quando ningum quer ser fotografado, muito menos sem autorizao.
 
Porm, h quem ache graa e estimule a brincadeira de mau gosto. O ingls Chris Gardner, de 27 anos, criou a pgina bedofshame.com, que facilita a postagem de fotos dessa temtica. Vi que essa hashtag se tornou um fenmeno, mas no havia um lugar onde pudessem ver todas as fotos reunidas, justifica ele, que garante no ter tirado nenhuma foto no estilo #bedofshame. Acho a ideia engraada. Sei que algumas mulheres ficaram ofendidas mas, agora, costumo receber mais fotos tiradas por mulheres do que por homens, explica o ingls. Para Gardner, esse tipo de autopromoo nas redes sociais  um retrato da juventude. As geraes mais novas vivem por meio das redes sociais, afirma. Por isso,  preciso viver com responsabilidade.


6. O LADO TRGICO DO CIME

Esse sentimento to comum, quando excessivo, pode se tornar um quadro patolgico e transformar histrias de amor em casos de agresso e morte, como aconteceu com a modelo em So Paulo
Flvio Costa, Natlia Martino e Paula Rocha

 AMOR POSSESSIVO - Bruno Csar Ribeiro e Babila Marcos: por cime, ele matou a mulher e ex-modelo a facadas
 
Uma histria de amor iniciada h quatro anos que terminou em agresso e morte por cime excessivo.  assim que pode ser resumido o relacionamento do corretor de imveis Bruno Csar Augusto Ribeiro, 30 anos, com sua mulher, a ex-modelo Babila Teixeira Marcos, 24. Aps uma discusso regada a muita bebida alcolica, Bruno matou Babila a facadas. Um dos golpes desferidos esfacelou a ma direita do belo rosto da jovem, que jazia deitada na cama quando policiais entraram na casa do casal no bairro do Jabaquara, em So Paulo. No quarto ao lado, o filho de 2 anos dormia alheio  discusso dos pais. Bruno foi indiciado por homicdio qualificado e motivo torpe na semana passada. O derradeiro desentendimento do casal parecia apenas mais um entre tantos, geralmente motivados pelo cime exagerado dele. Logo no comeo do namoro, Bruno proibiu Babila de seguir trabalhando como modelo. No satisfeito, escolhia as roupas que a mulher poderia vestir e a afastou dos amigos de So Bernardo do Campo, municpio do ABC paulista onde ela nasceu e se criou. Ele a exibia como se fosse trofu. Um objeto que ele poderia usufruir quando quisesse, afirma o comerciante Alexandre Marcos, pai da ex-modelo, que tem uma distribuidora de gua mineral onde a filha trabalhava. 

Considerado por muitos o tempero das relaes, o cime  um sentimento comum a quase todos os humanos e pode at mesmo ter desempenhado papel fundamental na evoluo da espcie. Segundo teorias da psicologia evolucionista,  uma caracterstica biolgica que herdamos de nossos ancestrais, que usaram esse sentimento como um mecanismo de sobrevivncia. As mulheres das cavernas sentiam cime de seus machos para que eles no copulassem com outras fmeas, o que colocaria em risco a sua prpria prole.

J os homens usavam o cime como uma forma de garantir que a parceira no geraria filhos de outros machos, diz o psiclogo Thiago de Almeida, especializado em relaes difceis e autor do livro Cime e Suas Consequncias para os Relacionamentos Amorosos (Editora Certa). Dos primeiros enlaces romnticos at hoje, o cime muitas vezes apareceu atrelado a conceitos positivos, como zelo e proteo. A mxima de que quem ama cuida  comumente citada pelos ciumentos para justificar seus atos. Porm, quando esse sentimento passa a ser um sofrimento muito grande, a ponto de prejudicar a vida daquele que o sente, ou a de seu parceiro, pode se tratar de um quadro de cime patolgico, alerta Almeida.

"Ele a exibia como se fosse um trofu. Um objeto que ele poderia usufruir quando quisesse" - Alexandre Marcos ( dir.), pai de Babila, na foto ao lado da mulher, referindo-se ao marido da filha, Bruno Csar

 PASSADO - Babila e Bruno com o filho: a relao sempre foi conflituosa
 
O retrato mais emblemtico de cime doentio provm da literatura. No clssico Otelo  O Mouro de Veneza, de William Shakespeare (1564-1616), o general protagonista da histria acredita piamente estar sendo trado por sua esposa, Desdmona. Cego pelo cime e pela raiva, ele asfixia a mulher. Depois, no entanto, ao descobrir que ela no era adltera, tira a prpria vida com um punhal e antes de morrer ainda beija o corpo inerte de Desdmona. A tragdia shakespeariana acabou por batizar a condio chamada de cime patolgico, tambm conhecida como sndrome de Otelo. Diferentemente do cime normal, o doentio no precisa de uma motivao. Ele pode surgir sem que algo desencadeie uma suspeita, explica a psicanalista Tatiana Ades, autora dos livros Hades: Homens Que Amam Demais e Escravas de Eros (Editora Isis). De acordo com especialistas, h dois tipos mais comuns de cime (leia quadro na pg. 78). No cime normal, ou protecionista, o ciumento se sente ameaado por alguma situao ou por um rival em potencial e quer proteger a relao ou a pessoa que ama. J no doentio ou retaliador, o medo de perder o ser amado faz com que a pessoa aja de forma punitiva, sem considerar argumentos racionais. O ciumento patolgico acredita em seus prprios delrios e essa autoiluso, em casos extremos, pode levar a agresses ou at  morte, diz Almeida. 

A combinao de amor, cime e tragdia, que sempre pontuou as crnicas policiais, tambm est presente em outro caso recente que mobilizou o Pas. Em 16 de junho, a policial federal Angelina Filgueiras, 42 anos, irm da modelo ngela Bismarchi, morreu com um tiro no peito durante uma discusso entre ela, o namorado, Jolmar Wagner Alves Milato, 40, e o ex-marido, o capito reformado da Marinha Mrcio Luiz Dias Fonseca, 48, que tambm faleceu. Segundo o advogado de defesa de Milato, o ex-marido de Angelina no aceitava o fim do casamento e teria feito ameaas a ela e a seu cliente, antes de entrar armado na casa dela naquela noite. Desesperada pela briga entre os dois, Angelina atirou em si mesma, e Milato, agindo, conforme alega, em legtima defesa, disparou trs vezes contra Fonseca. Parentes da vtima disseram que o sentimento que Fonseca nutria por Angelina era doentio. Quem sofre de cime patolgico acaba se tornando uma marionete dos prprios sentimentos, mas a violncia  um processo cumulativo, explica Almeida. Quando o cnjuge aceita uma reao violenta ou uma agresso psicolgica do ciumento, acaba reforando esse comportamento.
 
A escalada de agresses verbais, psicolgicas e fsicas  bem conhecida da enfermeira Bernadete Segatto, 50 anos. Na semana passada, ela chegou  Primeira Delegacia de Defesa da Mulher, em So Paulo, munida com quase uma dezena de Boletins de Ocorrncia (BO) contra o ex-namorado, Robert de Lima Fonseca, 48 anos. Os documentos relatam parte da histria do casal, que comeou h quase trs anos e teve vrias idas e vindas at o fim definitivo, em novembro do ano passado. Bernadete conta que Fonseca a agride desde o incio do relacionamento. Sempre que acontecia, eu terminava o namoro, mas ele ia atrs de mim e me ameaava. Eu no voltava por amor, voltava por medo, diz. Conforme relato da enfermeira, Fonseca a agrediu fisicamente vrias vezes, a jogou de um carro em movimento, a prendeu em crcere privado, a estuprou quando ela tentou terminar a relao e ameaou os filhos dela, que hoje vivem com o pai por determinao do Ministrio Pblico. Tudo por cime. Enquanto eu estava com ele, era proibida de trabalhar, de fazer esportes, de qualquer coisa. Ele sempre me acusava de estar tendo um caso com algum, fosse o professor da academia ou o pastor da igreja. Uma vez ele cortou meu cabelo para tentar me deixar mais feia, diz.

"Quando cheguei, mal abri a porta e ela veio com o ferro de passar quente na minha direo. Me defendi, mas ela continuou a agresso verbal e fsica" F., 40 anos, que se divorciou depois de um ataque de cime da mulher
 
No caso da bela modelo morta em So Paulo, o histrico de violncia de Bruno contra Babila era antigo. H trs anos, a jovem ligou certa noite para a me, Rosana Marcos, dizendo que estava trancada no banheiro, pois Bruno a ameaava com um revlver 38 em punho. O caso acabou no 35 DP (Jabaquara), onde a mulher desistiu de prestar queixa. O casal reatou aps poucos meses de separao. Uma semana antes de ser assassinada, Babila revelou a familiares o desejo de se separar por conta do cime excessivo do marido, que engendrava uma rotina de brigas. Ela apenas estava esperando passar o batizado e o aniversrio do filho para tomar a deciso, revela a me. Dias antes da tragdia, Bruno chegou a amea-la dizendo que a mataria junto com o filho se ela o abandonasse. Na noite do crime, os policiais encontraram o carro da vtima, um Astra Wagon, na garagem, com os vidros abertos e a chave na ignio. Uma mala estava repleta de roupas da criana e ainda continha todos os documentos de Babila, que recebeu vrias facadas nas costas, segundo apurou ISTO.  um erro da vtima subestimar as intenes do agressor. Em casos de violncia domstica,  mais do que necessria a interveno policial, afirma a delegada Lisandrea Zonzine Salvariego Colabuono, responsvel pelo inqurito policial do caso e titular da 2 Delegacia de Defesa da Mulher. Em metade dos casos de homicdio de mulheres havia denncia de violncia daquele agressor anteriormente, segundo o Mapa da Violncia 2012.
 
Tanto homens quanto mulheres podem sofrer de cime patolgico, porm so elas as vtimas mais frequentes de agresses de parceiros ciumentos. De acordo com a Pesquisa DataSenado 2011, em 27% dos casos de violncia domstica registrados no Brasil a agresso foi motivada pelo cime. No mesmo ano, em um levantamento do Instituto Avon, 48% das entrevistadas que declararam ter sido vtimas de violncia grave disseram que esse sentimento de posse foi o fator responsvel pela agresso. Apesar de todos os avanos na questo dos direitos femininos, infelizmente vivemos em uma sociedade ainda muito machista, em que a mulher muitas vezes  vista como uma propriedade privada de seu namorado ou marido, diz Tatiana Ades. Por isso  mais difcil para os homens aceitar quando uma mulher quer terminar um relacionamento. Isso no significa, contudo, que elas sejam menos ciumentas, e sim que o sentimento se manifesta de forma diferente. Homens tendem a sentir mais cime sexual, enquanto as mulheres ficam mais enciumadas ao pensar que seus namorados ou maridos podem estar emocionalmente envolvidos com outra, diz Almeida. E as mulheres so mais sutis na hora de demonstrar cime, diz Tatiana.
 
Hoje casada e me de uma filha de 4 anos, a relaes-pblicas M., que pediu para no ser identificada, chega a sorrir ao se lembrar do namorado por quem foi loucamente apaixonada aos 19 anos. Depois das brigas constantes, ela fazia planto na portaria da casa do namorado e se jogava em frente ao carro dele para obrig-lo a parar e conversar. Quando ele a deixava em casa depois de uma festa, imediatamente uma amiga era acionada para persegui-lo e, assim, descobrir se ele realmente foi para casa ou se iria se encontrar com a outra, a suposta amante que nunca foi flagrada. Essa relao complicada durou dois anos e terminou quando ela percebeu quanto ficava fora de si diante do namorado. Foi um perodo conturbado, mas serviu de lio, aprendi o que no queria para a minha vida. A questo no  o tamanho do amor, mas sim a forma como o direcionamos, avalia.

"Sempre que ele me agredia, eu terminava o namoro, mas ele vinha atrs de mim e me ameaava. Eu no voltava por amor, voltava por medo" Bernadete Segatto, 50 anos, que pede na Justia medidas protetivas contra o ex-namorado Robert de Lima Fonseca
 
O fato de a maior parte dos crimes motivados por cime ser cometida por homens pode ser explicado pela alta impulsividade deles, na opinio do psiquiatra forense Miguel Chalub. Homens so mais agressivos e mais inseguros de sua performance sexual, o que os torna mais propensos a sofrer com o cime doentio, diz Chalub. Por isso, quando uma mulher agride ou mata o cnjuge por cime, a sociedade fica escandalizada. O administrador de empresas F., 40 anos, que pediu para no ser identificado, sofreu na pele com uma ciumenta patolgica. O namoro e o casamento foram tranquilos at que ele, em um novo emprego, comeou a trabalhar at tarde da noite. Era um tormento, ela dizia que eu tinha um caso com alguma mulher do trabalho e, com o tempo, isso foi crescendo. Ela criava situaes na cabea dela e acreditava naquelas fantasias todas, conta. Enciumada, ela ligava para o ramal dele vrias vezes ao dia para conferir se o marido realmente estava trabalhando. At o dia em que ele no atendeu  j estava a caminho de casa. Quando cheguei, mal abri a porta e ela veio com o ferro de passar quente na minha direo. Me defendi, mas ela continuou a agresso verbal e fsica. Para no perder a cabea, sa de casa naquela noite. No dia seguinte, outra surpresa. Todas as roupas, CDs e livros de F. estavam rasgados e quebrados em uma pilha no meio da sala. Foi o estopim para o divrcio, diz.
 
Paradoxal como grande parte dos sentimentos humanos, o cime em demasia tambm pode significar desejos ocultos da prpria pessoa. Muitas vezes aquele que sente cime exacerbado est projetando no parceiro algo que ele mesmo faz ou gostaria de fazer, afirma a psicanalista Tatiana. J vi vrios casos de homens ciumentos que eram eles prprios os infiis. Foi o que aconteceu com a escritora catarinense Vanessa de Oliveira, 37 anos. H dois anos ela conheceu por meio de uma amiga aquele que parecia ser o grande amor de sua vida. Ele era calmo, educado, gentil. Um prncipe encantado, conta Vanessa. Durante os primeiros seis meses em que viveram juntos, tudo correu bem. At que ele comeou a revelar seu lado ciumento. Ele me ligava o dia inteiro para saber onde eu estava e passou a me tratar mal por cime dos outros funcionrios do shopping onde tnhamos uma loja, diz. Um dia, Vanessa descobriu que, apesar de ser extremamente ciumento, o marido mantinha relacionamentos paralelos com diversas mulheres e at era casado legalmente nos Estados Unidos com outra brasileira. Quando o confrontei com a verdade, ele me agrediu, quebrou minhas coisas, me expulsou de casa e at me ameaou de morte. A histria de decepo rendeu o livro Psicopatas do Corao (Editora Matrix), lanado no incio do ano. Hoje estou recuperada, mas ainda me assusto quando vejo fotos da poca em que vivia com ele. Eu parecia outra pessoa, at tinha mudado meu jeito de vestir em funo dele, diz.
 
Mesmo que nem todos os ciumentos excessivos sejam infiis ou desejem ser, algumas caractersticas se repetem nos perfis daqueles que padecem dessa condio. Em comum, homens e mulheres que sofrem de cime patolgico apresentam sinais de alta ansiedade, pouca tolerncia  frustrao e baixa autoestima. A maioria carrega uma sensao de rejeio que vem da infncia, explica Tatiana Ades. Opinio compartilhada por Chalub. Esse sentimento est ligado a transtornos de personalidade, especialmente entre os homens. Quando um homem no recebe afeto suficiente da me quando pequeno, as chances de ele se tornar um ciumento em excesso so grandes. Outros distrbios psicolgicos, como paranoia e transtorno obsessivo compulsivo, tambm so geralmente associados ao cime em demasia. O problema do ciumento patolgico  com ele prprio, e no com seu parceiro ou parceira, diz Tatiana.

SUICDIO - A policial federal Angelina Filgueiras se matou diante de uma discusso entre o namorado, Jolmar Milato, e o ex-marido Mrcio Luiz Fonseca (na foto com ela), que no aceitava o fim do casamento
 
A boa notcia  que existem grupos que podem ajudar essas pessoas a controlar o sentimento. O Mada (Mulheres Que Amam Demais Annimas), que existe h 18 anos no Brasil, acolhe mulheres que se encontram em relaes destrutivas. Ter cime  uma caracterstica comum de todas ns, mas apenas algumas apresentam um quadro de cime patolgico, diz uma integrante do grupo. Seguindo uma verso adaptada dos 12 passos do grupo Alcolicos Annimos (AA), as mulheres do Mada, que possui mais de 30 pontos de encontro pelo Pas, procuram evitar os comportamentos destrutivos, um dia de cada vez. Atravs do depoimento das outras mulheres, consigo aprender algo sobre mim mesma e manter sob controle meus sentimentos. A mesma filosofia move o grupo de apoio aos ciumentos patolgicos do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clnicas (HC), em So Paulo. O servio  gratuito e destinado a homens e mulheres. O objetivo  melhorar a autoestima e ajudar a controlar o comportamento de cime daqueles que buscam ajuda, explica Mnica Zilberman, coordenadora do projeto. No falamos em cura at porque no se trata de uma doena em si, mas de um sintoma que pode estar exacerbado at em pessoas sem transtorno psiquitrico. 

No caso de Babila, tal qual Otelo, Bruno buscou no suicdio a forma de lidar com sua culpa. Cortou os pulsos e o pescoo, mas no obteve sucesso porque o irmo adolescente, que morava com o casal, chegou minutos depois do assassinato da jovem. At a sexta-feira 13, Bruno continuava internado em estado grave no Hospital Saboya, no Jabaquara, sob escolta policial. O amor dos dois era doentio, obsessivo. Ambos eram muito ciumentos. Mas ningum esperava que fosse acabar assim, diz um amigo do casal. Como disse o poeta espanhol Lope de Vega (1562-1635), no existe glria maior do que o amor, tampouco castigo maior do que o cime.

PERIGO - O ciumento patolgico acredita em seus delrios e isso pode levar a agresses ou at  morte, diz o psiclogo Thiago de Almeida


7. GENTE
por Gisele Vitria com Bruna Narcizo, Bianca Zaramella, Simone Blanes e Thas Botelho

"SIMPLESMENTE TERMINOU"
Loirssima na sua mais nova fase solteira, Sabrina Sato esquece o estilo brincalho femme fatale nos primeiros minutos de conversa. Em entrevista exclusiva para a capa da revista Isto Gente, nas bancas sbado 14, a apresentadora falou sobre carreira, futuro e o fim do relacionamento de trs anos com o deputado federal Fbio Faria (PSD-RN). Em nenhum momento o namoro terminou por falta de amor. Simplesmente terminou. Terminar um relacionamento  sempre complicado. Sou verdadeira e todo mundo sabe o que estou passando, disse a musa do Pnico. Ela adotou o look platinado na quarta-feira 11 para uma campanha da marca Wella (foto).


BALAS
 O senador Acio Neves est entre os 15 amigos convidados pelo empresrio Alexandre Accioly para comemorar seus 50 anos em Miami, no domingo 15. J esto l Fbio Faria, lvaro Garnero, Rogrio Fasano, Marcelo e Bob Rezinski.
 
Giovanna Ewbank voltou a morar com a me em So Paulo. A casa em que morava com Bruno Gagliasso antes da separao era alugada e o contrato foi rescindido. Agora ela pretende alugar um apartamento no Rio. A atriz e o ator se falam diariamente. Ele at mandou girassis para ela, que se mantm irredutvel sobre uma possvel volta.
 
Bruno Gagliasso tambm j est procurando um novo lar. Est de olho no apartamento de Eri Johnson, que comprou uma casa e se muda em breve. Em tempo: Eri ser scio da filial da Escola de Atores Wolf Maya no Rio. A previso de inaugurao  o incio de 2013.


FRIAS NA PRPRIA FAZENDA EM IBIZA 
Ronaldo e Bia Antony aproveitam as delcias de Ibiza nas frias de julho. Com casas pelo mundo, Ronaldo  dono de uma fazenda de 200 anos na badalada ilha espanhola. A sede da fazenda foi recentemente redecorada e restaurada pela arquiteta Lena Pessoa. Os ambientes foram pensados para quem fica na praia o dia inteiro. Puro charme e descontrao para receber amigos e personalidades. O casal deve retornar ao Brasil em agosto.


FENMENO PRECOCE 
Nova queridinha dos cineastas brasileiros, Laura Neiva tem se dedicado quase integralmente ao seu terceiro longa: O Menino no Espelho. As filmagens esto a todo vapor na cidade de Cataguases, em Minas Gerais. Alm de Laura, o filme conta com Mateus Solano e Regiane Alves no elenco. A atriz tambm  embaixatriz brasileira da Chanel e estrela da nova campanha da Corello (foto). Ufa! Tudo isso com apenas 18 aninhos!


O VOO SOLO DA FILHA NMERO QUATRO 
Prestes a seguir carreira solo, Patrcia Abravanel j vislumbrava voos mais altos em sua carreira. H quatro meses a filha de Silvio Santos tem se dedicado semanalmente a um curso de interpretao e voz para televiso com o professor Pedro Barreto. Patrcia, a filha nmero quatro do dono do SBT, comeou fazendo aes de merchandising em programas da emissora. Esta semana ela anunciou seu desligamento do Cante se Puder, que comandava com Mrcio Ballas, para se dedicar a uma atrao s dela.


INTERNADA, HEBE RECEBE LIGAO DE SILVIO SANTOS
Antes de ser internada na tera-feira 10 no hospital Albert Einstein, em So Paulo, Hebe Camargo recebeu uma ligao do ex-patro Silvio Santos. No domingo 8, o empresrio ligou para a apresentadora. Queria saber da sua sade. No falaram sobre a possvel volta ao SBT, negociada no ltimo ms. Debilitada, Hebe precisou ser novamente internada. No seria um caso cirrgico. Ela foi submetida a uma cirurgia para a retirada da vescula no dia 14 de junho. No havia previso de alta at o fechamento da coluna.


PENLOPE CRUZ GRVIDA 
Arrancando suspiros no filme Para Roma com amor, de Woody Allen, Penlope Cruz estaria grvida de seu segundo filho. A notcia foi dada pelo programa de tev espanhol Espejo Publico. A atriz, que j  me de Leo, de 1 ano e 5 meses, estaria no terceiro ms de gestao. Casada com Javier Bardem h cerca de dois anos, o casal ainda no fez nenhuma declarao oficial. Mas a informao foi confirmada ao programa por um amigo do casal.

